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quarta-feira, 20 de maio de 2015

CÁ ENTRE NÓS #13 PRA NÃO DIZER QUE NÃO FALEI DE ANJOS.

PRA NÃO DIZER QUE NÃO FALEI DE ANJOS.




Vivemos em um mundo onde cada um é livre para acreditar naquilo que bem lhe agrada e bem entende. Hoje especialmente quero lhes falar sobre anjos, que espalhados por aí vivem a cuidar de nossas vidas desde a nossa geração. Existem e não há dúvidas que estão entre nós, sempre ali mesmo que de longe ou de perto, para nos aconselhar em decisões fáceis e difíceis, para nos guiar pelos caminhos, nos acolher nos momentos tristes ou festejar em dias felizes. E claro devemos ter um carinho muito especial, pois sem tal proteção e auxilio não sobreviveríamos, principalmente enquanto criança.
Anjo que foram para nós enviados como um presente de Deus, e que humildemente chamamos de “mãe”, ou com uma pitada a mais de carinho de “mamãe”. Aquela que respira e inspira amor em favor de seus filhos até seu último, amor puro, verdadeiro e sincero, o amor de mãe. Que nada pode ser maior que o amor incondicional de uma mãe por seus filhos. Que zela pela proteção de seus filhos, mais do que a sua própria, que muitas das vezes passou noites em claro, cuidando de um simples medo do escuro, lutando e tirando monstros de baixo da cama até um forte e preocupante resfriado.
Simplesmente é como dizem: “mãe é mãe” e nada se compara. Dignas de todo o respeito, gratidão e se possível uma chá de vida eterna para nunca nos deixarem, entretanto estarão sempre em guardadas em nossos corações em um lugar mais que especial junto a tudo que nos ensinaram, e se chegar o dia da saudade bater lembranças não faltaram para viver de novo todos estes momentos.
Em fim estas são apenas umas simples palavras, desejando felicidades a todas as mães, em especial para minha mãe, quero que saiba que a cada dia que passa, eu tenho mais certeza de que você é a melhor mãe do mundo. E neste dia, quero tentar expressar o amor que eu sinto por você, quero demonstrar o quanto você é essencial na minha vida. Obrigada por todos os momentos, obrigada pelos conselhos mais sinceros, obrigada pelas broncas, obrigada pelos mimos, obrigada por ser a melhor mãe do mundo.
À minha mãe ofereço todas as minhas preces, a todas as outras mães, desejo que todos os dias sejam "Dia das Mães” para que sempre possam receber de seus filhos amor, carinho, dedicação!

Texto publicado 08/05/2015 no jornal local - Jornal Serranense

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CÁ ENTRE NÓS #12 NOSSAS CIDADES

Nossas Cidades


Sempre que conheço uma cidade, gosto de imaginar como ela seria se fosse uma pessoa, e isto ocorre com mais intensidade com as cidades de nossa região, às quais tenho um maior contato, assim estas imagino como uma grande família onde cada uma tem seu devido grau de parentesco e suas respectivas qualidades e personalidades conforme meu conhecimento de cada uma.
Sendo assim se as cidades da nossa região fossem parentes de Nova Serrana seriam elas: Divinópolis: A irmã mais velha rica, bem sucedida a qual você visita com maior frequência, mas não sabe se ela realmente gosta que você a visite. Perdigão: O Irmão do meio atrasado um tanto desatualizado, funkeiro. Araújos: O irmão mais novo meio de vagar, que não se enturma muito. Bom Despacho: O primo bobão, mas que você até acha ele legal. Pitangui: É... Ninguém sabe na verdade. Moema: Uma tia gorda chata, que sempre vem com umas conversas desagradáveis. Lagoa da Prata: A prima gente boa, e muito bonita que você gostaria de visitar sempre, e que você desconfia que use drogas. Pará de Minas: Um primo legal, mas sem muito contato, pois ele parece não gostar muito de você. Itaúna: O tio inteligente, estudioso que não gosta de muitas brincadeiras. São Gonçalo do Pará: O tio gordo que faz piadinhas sem graça, divorciado. Santo Antônio do Monte: Um tio bobão que ninguém lembra e nem o conhece muito pessoalmente. Luz: A tia que você vê falar às vezes, elegante e muito estudiosa. Leandro Ferreira: Aquele seu avô que você visita nos finais de semana, e ele lhe conta quase sempre às mesmas histórias de sua época, que você até gosta de ouvir. Por fim você me pergunta quem seria Nova Serrana, Nova Serrana seria um adolescente “rebelde sem causa”, que gostava de rock, mas aprendeu a ouvir funk com seu irmão Perdigão.
E assim vivem todas numa vida movimentada, com suas ocupações e dificuldades do dia a dia, como qualquer boa e estável família, e que às vezes marcam de se encontrar na casa ou sítio de alguém para festejar o aniversário de alguém.

CÁ ENTRE NÓS #11 CARTAS DO TEMPO

CARTAS DO TEMPO


Para: Breno de 2014
Oi quem te escreve é o Breno de 5 anos, sim já sei escrever, hoje é domingo dia 10 de abril de 1994, um dia depois do nosso aniversário, que diga-se de passagem foi legal, teve festinha com muitas pessoas, presentes, bolo e tudo mais. Ganhamos uma flauta, parece que eles querem que você aprenda a tocar, então faça isso por eles, aprenda a tocá-la ou algum instrumento qualquer. Neste ano entrei na escola, eles a chamam de “Cantinho Feliz”. Para falar verdade não gostei muito daquele lugar, não me pergunte o porquê. Não acostumei com a ideia de ficar sem a mamãe por perto, inclusive ela não me leva mais pra escola, quem nos leva é a tia Lucinha. Acho que porque na última vez que a mamãe me levou, eu fugi da aula por não ver ela sentada do lado de fora da sala.
Espero que daqui uns 20 anos, quando a gente crescer e você me responder, nós já sejamos alguém na vida, assim igual o papai. Quando se casar, tenha dois filhos por que ano passado ganhamos uma irmã e parece que será legal, apesar dela ser muito chorona e de não termos mais toda atenção da mamãe e do papai, mas acho que vai passar, acho que é só porque ela é pequena e fofinha. E brinque muito com ela, pois acho que não virão mais. Tenho aqui alguns pedidos para quando a gente crescer; tenha um cachorro, não fique chato igual as tias das escolas e não perca meu espírito de criança feliz.

Para: Breno de 1994.
Oi aqui é o Breno com 26 anos hoje é domingo dia 26 de abril de 2015, pois é não deu pra escrever no ano passado inteiro, correria da vida de gente grande sabe como é né?! Não mudou muita coisa, continuo não gostando muito de escolas, e não aprendi a tocar instrumento nenhum, ainda! Mas estou tentando; um dia quem sabe?!  Vinte e um anos se passaram, e não sei se posso considerar ser alguém na vida como você queria, tenho um emprego igual o papai, inclusive nós trabalhamos na mesma empresa, que é um ponto positivo. Não tivemos apenas uma irmã, anos depois ganhamos mais duas de uma vez e depois mais um; você deve ter percebido. Me casei e temos um cachorro que é muito fofinho você iria gostar, e o mais importante, nunca perdi nosso espírito de criança, que é fundamental para a vida adulta a propósito.

Acredito que estes últimos 20 anos não foram dos piores. Saiba que nunca me esqueci de você, mas aproveite esse tempo de criança, porque eles não voltam mais, brique, corra, pule, chore, sonhe a vontade. E não fique até muito tarde na rua e não se esqueça não ande descalço.

Texto publicado 24/04/2015 no jornal local - Jornal Serranense
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CÁ ENTRE NÓS #10 AQUELAS HISTÓRIAS

AQUELAS HISTÓRIAS


Trabalhando 24 horas por dia, ele leva uma vida agitada trancado em sua sala silenciosa. Sua função é guardar, se lembrar de datas, informações e estudos entre as mais diversas coisas do dia-a-dia, este é o nosso cérebro! Lembrando-nos a todo o momento de coisas importantes e às vezes de coisas desnecessárias. Guardando das mais importantes às piores lembranças, como um infinito HD de computador, com a pequena desvantagem de não ser possível apagar. Seu trabalho não é fácil, às vezes o forçamos a se lembrar de coisas lá do fim do arquivo, meio empoeirado de nossos tempos de criança, ou o forçamos a imaginar e desenhar um futuro.
Nosso cérebro é realmente um funcionário exemplar, que se bem tratado pode trabalhar por longos anos. Tenho como exemplo meu avô que nunca se cansa de nos contar incontáveis vezes e com riqueza de detalhes suas lembranças dos seus tempos de roça; como da vez em que um boi avançou e o derrubou passando por cima dele o pisoteando, primeiro com a mão/pata direita sobre seu peito, depois com a mão direita raspando no couro de sua cabeça e por fim raspando com a unha do pé/pata direita no seu queixo, quando depois deste acidente o tratamento foi com o mais eficaz e comum remédio da época, água com sal. Ou então outra vez em que estava levando sacos de sal em um cavalo que havia sido de rodeio, porém havia sido vendido, pois não pulava mais, foi quando no caminho para o curral a chincha do arreio arrebentou e ficou batendo no cavalo – acredito que provavelmente fez o cavalo ter um flash de lembrança dos seus tempos de rodeio – que começou a pular descontrolado, derrubando então meu avô do cavalo, fazendo-o cair em uma valeta de onde não conseguia sair sozinho, ficando lá até que um rapaz percebera seu cavalo pulando sozinho lá no fim do morro, saindo então à sua procura até encontrá-lo na valeta com alguns arranhões nos braços e pernas. Que novamente foi tratado com o remédio milagroso da época, água com sal.

Ficam aqui estas breves palavras em homenagem aos maiores historiadores de todos os tempos, que são nossos pais, avós, bisavós que guardam gravadas em suas lembranças, as melhores histórias de suas vivências passadas que jamais serão esquecidas ou apagadas.

Texto publicado 17/04/2015 no jornal local - Jornal Serranense
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CÁ ENTRE NÓS #09 NO SILÊNCIO DA CIDADE

No silêncio da cidade


Impressiono-me com o silenciar desta cidade agitada, à chegada de um anoitecer. Um silêncio tão quase absoluto que mesmo morando distante, se ouve o barulho dos caminhões passando pela BR-262. Ao caminhar pelas ruas o som das casas, antigamente creio que se ouviam as vozes de seus moradores conversando ou brigando entre si, hoje em dia ouço alguns variados sons como; doces caindo do Candy Crush; algum fazendeiro colhendo em sua Fazenda Feliz; o velho/novo som de uma mensagem chegando pelo WhatsApp ou Facebook, ou então de alguém xingando seu celular por estar travado como se o celular fosse outra pessoa e isto resolvesse o problema.
Em uma destas caminhadas noturnas nestas ruas não muito seguras, de longe avistei um jovem com uma briga diferente com um telefone público. Parecia tentar fazer uma ligação, porém sem sucesso. Ia passando meio distante dele aos passos largos, eis então que ele me chama; “ô moço será que cê não pode me fazer um favor?”. Achei estranho e um pouco suspeito, uma pessoa pedindo ajuda em um “orelhão” não é muito normal. O respondi de longe dizendo que talvez sim. E ele disse: “É que num “tô” conseguindo digitar os números aqui. “Cê” disca pra mim?” Pelo olhar o sujeito parecia meio bêbado, aproximei meio desconfiado e confirmei que realmente ele estava bêbado, motivo dele não conseguir digitar os números.

Após algumas tentativas sem sucesso o número me parecia estar errado, o celular dele travou e com muito custo tentou destravar e encontrar o número novamente. O numero qual tentava discar era de sua mãe. Ao encontrá-lo me mostrou e me explicou; “Olha! É este aqui o numero da minha mãe, quero ligar pra ela porque estou com saudades e ela mora longe. “Cê” disca de novo?”. Peguei o celular e ele repetiu; “Tá vendo ai ó ta escrito mãe não é?” Em seguida ele completou; “Só que ta sem acento.” Ao reparar no nome do contato estava escrito “mai”.  Mas tudo bem dei a ele um desconto, pois em sua simplicidade ele estava buscando a um recurso de comunicação pública tão quase esquecido quanto à própria conversa física. E por fim ele conseguiu falar com sua mãe.


Texto publicado 10/04/2015 no jornal local - Jornal Serranense
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